Sem provas, Trump volta a colocar sob suspeita resultado das eleições brasileiras

Atualizado em 27 de outubro de 2026 às 20:46
Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Joyce N. Boghosian/Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a insinuar, sem apresentar provas, que houve fraude na eleição presidencial brasileira vencida por Lula (PT). Em discurso a apoiadores nesta terça-feira (27), o republicano colocou o Brasil na comparação que fez ao chamar os democratas de trapaceiros eleitorais.

“Eles são os maiores trapaceiros em eleições, acho, da história. Embora o Brasil também esteja fazendo um bom trabalho, não é? Vocês viram aquilo? Aquilo não foi legal”, declarou Trump.

“Eu não tomei partido, mas não gostei. Não pareceu muito bom”, acrescentou. No trecho, o presidente estadunidense não apresentou documentos, dados ou qualquer indício que sustentasse a insinuação contra a votação brasileira.

A declaração foi feita em um comício no Texas, durante a campanha republicana para as eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. A menção ao Brasil apareceu entre ataques aos democratas e à política migratória defendida pelos adversários.

Na segunda-feira (26), Trump já havia colocado sob suspeita a eleição brasileira, também sem mostrar qualquer evidência. Na ocasião, questionou a contagem dos votos e a prorrogação do horário de votação. Ao ser perguntado sobre possíveis medidas, respondeu que era presidente dos Estados Unidos, não do Brasil.

A prorrogação determinada por Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), valeu apenas para seções que ainda estavam abertas. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a medida foi adotada após as duas candidaturas relatarem dificuldades de transporte de eleitores.

Em balanço divulgado nesta terça-feira, o TSE informou que 34.393 votos foram registrados após as 17h em todo o país. A Corte também lembrou que quem já estivesse na fila nesse horário tinha o direito de votar pelas regras habituais. O total posterior às 17h, portanto, não corresponde exclusivamente aos votos viabilizados pela ampliação do horário.

As declarações anteriores de Trump já haviam provocado uma reação do vice-presidente Geraldo Alckmin, na segunda-feira. Ele classificou a acusação como “totalmente equivocada” e afirmou: “Primeiro não se interfere na política de outro país”.

Também nesta terça-feira, o governo Trump confirmou que emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e seus familiares. Derrotado por Lula, o senador deixou o Brasil após ser intimado a entregar os passaportes à Polícia Federal e estar proibido de sair do país por decisão de Alexandre de Moraes, do STF. A confirmação dos vistos não esclarece se houve concessão de asilo político.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!