“Sequer sabe o nome dela”: Miriam Leitão detona Flávio Bolsonaro ao falar de Ana Clara

Atualizado em 24 de outubro de 2026 às 8:38
Flávio Bolsonaro durante o debate na Globo. Foto: reprodução

Após o debate presidencial da Globo na última sexta-feira (23), a jornalista Miriam Leitão explicou como o presidente Lula (PT) neutralizou o principal discurso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e da extrema-direita, a segurança pública. O petista se referiu ao caso Ana Clara, que expõe como a defesa do bolsonarismo é, na verdade, pela impunidade de policiais que matam pessoas pobres e negras.

“Ao levar o assunto Ana Clara, ele neutraliza o ponto forte do Flávio. Na Segurança. Todo mundo acha que Lula não sabe o que falar na Segurança e que a direita sempre sabe falar”, afirmou Miriam. A jornalista também apontou um erro do senador no episódio, que confundiu o nome da vítima com o de sua mãe.

“Lula foi com Ana Clara, e ele se atrapalhou totalmente. Porque, quando ele falou que queria ajudar a Ana Clara, ele se atrapalhou totalmente, a mãe chama Cristiane. Então percebe-se que ele sequer sabe o nome da menina de 5 anos que morreu e que ele defendeu o assassino”, completou.

O confronto sobre o caso começou quando Lula cobrou Flávio por ter integrado a defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pela morte da criança. A mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, acompanhava o debate na plateia, a convite do presidente. Depois de Lula apontar sua presença, Flávio se dirigiu a ela: “Ana Clara, eu quero falar para a senhora, prestar de verdade a minha solidariedade”. A mãe então gritou: “Ela morreu!”.

O senador afirmou que não conseguia imaginar o que seria perder uma filha de 5 anos, classificou o episódio como uma “tragédia” e sustentou a versão de que havia uma “troca de tiros numa comunidade conflagrada”. Ao falar do policial, Flávio declarou: “Eu tenho a confiança que não foi esse policial, ele sequer foi julgado ainda”.

Ana Clara morreu em 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói. A criança estava perto de casa com o irmão quando foi atingida durante a ação policial. O Ministério Público contestou a versão de confronto com base em testemunhas que negaram a troca de tiros. Delaroli nega que os disparos tenham partido de sua arma.

Flávio integrou a defesa do policial e assinou, em 2024, um recurso ao Superior Tribunal de Justiça para tentar reverter a decisão que encaminhou o caso ao Tribunal do Júri. O pedido foi negado, e Delaroli aguarda julgamento. Cristiane cobra que o caso seja julgado. “Eu estou pedindo para que ele seja julgado”, disse.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 32 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.