“Só pensei em defender os enfermeiros agredidos”, diz ao DCM Sabrina Nery, a ciclista que encarou os fascistas

Sabrina Nery

No dia 1º de maio, uma estudante de Medicina de Brasília ganhou notoriedade nas redes pelo ato de enfrentar bolsonaristas agressores de profissionais de saúde que realizavam um ato na Praça dos Três Poderes, na capital federal.

Sabrina Nery criou um perfil no Twitter – em apenas três dias, ela já tem mais de 18 mil seguidores. O perfil também foi uma maneira de agradecer o carinho recebido na Internet – o vídeo da reação de Sabrina, postado por um amigo, recebeu mais de 15 mil retweets.

“Foi terrível, eu estava andando de bicicleta quando perguntei a uma das enfermeiras porque ela estava deixando a manifestação”, contou ao DCM.

“Ele já havia agredido outras pessoas e partiu para cima de mim e da minha tia, falando para eu não dar ouvidos ao que a moça dizia”.

De acordo com ela, o homem – posteriormente identificado como Renan Sena – começou a gritar com Sabrina quando ela disse que “os profissionais de saúde têm o direito de se manifestar”.

Quando ela pediu que ele saísse de perto e que não a tocasse, Sena cuspiu em seu rosto.

Criou-se a deixa para que a estudante abandonasse o diálogo e reagisse fisicamente contra o agressor. Uma outra bolsonarista parte para cima de Sabrina e apanha também.

Ela disse que sequer pensou em política ao revidar a agressão: “Sou estudante de Medicina, me coloquei no lugar daqueles enfermeiros que protestavam pacificamente“.

“Nunca votei e não tenho uma posição política definida”, diz. Ela foi acusada de ser “petista” por ter reagido aos agressores. Do outro lado, alguns a chamam de bolsonarista por algumas postagens encontradas no Facebook da estudante.

“Há alguns anos, deixei de me importar com política. Perdas familiares me mostraram que a vida é mais do que um posicionamento político. Fiz o que qualquer pessoa sensata e decente faria – me defendi de um agressor e defendi o direito de outros se manifestarem”, afirma.

Segundo Sabrina, Renan Sena gritava que “o coronavírus era uma invenção”. Não é a primeira vez que o agressor se envolve em polêmicas do gênero.

Participante contumaz de protestos online e presenciais em favor de Bolsonaro, ele posou com faixas contra a China nas imediações da embaixada do país asiático em Brasília.

Já em companhia de um sujeito chamado Wagner Cunha, foi para a frente do STF fazer uma live pedindo pelo artigo 142 da Constituição, que permitiria a Bolsonaro decretar intervenção militar – tal prerrogativa não existe.

Na opinião de Sabrina, uma das principais motivações para reagir é a de que o bolsonarismo configura uma ameaça a várias das identidades dela: mulher e médica.

“Não vou abaixar a cabeça – irei enfrentar”, diz.

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