
O edifício Vizcaya Itaim, em uma das áreas mais valorizadas de São Paulo, entrou no centro das investigações da Polícia Federal sobre o suposto uso de imóveis de luxo como forma de pagamento de propina ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Com apartamentos voltados a um público de altíssima renda, o empreendimento aparece no radar da apuração que mira negociações envolvendo o Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e a liberação de operações financeiras consideradas irregulares.
Segundo a PF, unidades em empreendimentos de alto padrão em São Paulo e Brasília teriam sido usadas como vantagem indevida em um esquema que envolvia dezenas de milhões de reais. A suspeita é que esses imóveis tenham servido de moeda de troca para viabilizar operações sob investigação.
No caso do Vizcaya Itaim, o que chama atenção é o perfil do prédio, que reúne características típicas do mercado de altíssimo luxo e ajuda a dimensionar o padrão dos bens citados no inquérito.
O edifício tem torre única e apenas um apartamento por andar. Cada unidade possui 541 metros quadrados de área privativa, quatro suítes, seis vagas de garagem e depósito exclusivo. Localizado na avenida Horácio Lafer com a rua Lopes Neto, o Vizcaya fica a cerca de 320 metros do Parque do Povo, em uma região nobre da capital paulista.
Entre os diferenciais do empreendimento estão piscina coberta, piscina infantil, salão de festas, brinquedoteca, espaço fitness, spa com área de massagem e lobby de alto padrão. Veja fotos do condomínio:
O padrão construtivo também aparece como um dos elementos que colocam o prédio entre os mais sofisticados do país. O texto destaca lajes com espessura mínima de 25 centímetros, contrapiso com atenuação de ruídos e tubulações com manta acústica.
Nas suítes, os caixilhos de alumínio possuem vidros espessos e sistema de redução sonora, além de persianas automatizadas. As áreas íntimas têm portas de madeira com vedação inferior, e o empreendimento ainda conta com previsão de infraestrutura para automação residencial e aspiração central.
As investigações citam ao todo seis empreendimentos que teriam sido usados no esquema. Além do Vizcaya Itaim, aparecem na lista edifícios de alto luxo como Heritage, Arbórea, One Sixty e Casa Lafer, em São Paulo, além do Ennius Muniz e do Valle dos Ipês, em Brasília.
Embora o material não detalhe quais unidades específicas teriam sido utilizadas, os prédios compartilham traços semelhantes: localização privilegiada, metragem elevada e valores milionários.
A operação levou à prisão de Paulo Henrique Costa na quinta-feira (16), sob acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo os investigadores, seis imóveis, quatro em São Paulo e dois em Brasília, teriam sido repassados como propina, somando cerca de R$ 146 milhões.
Parte desses pagamentos, no entanto, não teria sido concluída depois do início das apurações sobre irregularidades nas carteiras de crédito negociadas. Além de Costa, também é alvo da operação o advogado Daniel Monteiro, apontado como responsável por administrar fundos e contas usados por Vorcaro para movimentar recursos do banco e viabilizar os pagamentos.








