Trump ameaça Irã com nova onda de bombardeios após ataque dos EUA a petroleiro iraniano

Atualizado em 6 de maio de 2026 às 20:33
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Um banner anti-Estados Unidos durante parada militar no Irã. Foto: Vahid Salemi/AP Photo

O governo dos Estados Unidos disparou contra um petroleiro com bandeira iraniana nesta quarta-feira (6), em mais um capítulo da escalada militar no Oriente Médio. O ataque ocorreu poucas horas depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, lançar um novo ultimato ao Irã: aceitar um acordo para encerrar a guerra ou enfrentar uma nova ofensiva militar “em um nível e intensidade muito maiores”.

Segundo o Comando Central dos EUA, caças americanos dispararam várias vezes contra a embarcação e “desativaram o leme do navio” quando ele tentava romper o bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos.

A tensão ocorre em meio a negociações incertas entre Washington e Teerã para tentar encerrar o conflito iniciado após a ofensiva conjunta de EUA e Israel contra o Irã em fevereiro.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a operação militar chamada “Epic Fury” poderá terminar caso o Irã aceite os termos negociados.

“Se eles não concordarem, os bombardeios começam novamente, e serão, infelizmente, em um nível e intensidade muito maiores do que antes”, escreveu.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país está “preparado para todos os cenários”.

Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou Washington de tentar forçar a rendição do país por meio de bloqueio naval, pressão econômica e guerra midiática.

“O inimigo busca destruir a coesão do país para nos obrigar à rendição”, declarou.

O Estreito de Ormuz, visto pelo Satélite Coperniocus.
O Estreito de Ormuz. Foto: Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2025

Estreito de Ormuz segue como epicentro da crise

O centro da disputa continua sendo o estratégico Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte global de petróleo.

Mais de 800 navios e cerca de 20 mil tripulantes seguem retidos na região após ameaças iranianas de usar minas marítimas, drones e mísseis contra embarcações comerciais.

Na terça-feira, Trump havia suspendido temporariamente a operação naval americana chamada “Project Freedom”, criada para escoltar navios pelo estreito. Segundo ele, a decisão ocorreu após pedidos do Paquistão e de outros mediadores internacionais.

Autoridades paquistanesas afirmaram ao jornal The Guardian que um acordo preliminar pode surgir nas próximas 48 horas, incluindo um cessar-fogo temporário e a reabertura do Estreito de Ormuz por pelo menos 60 dias.

Trump e Irã impactam negócios com a China
O presidente estadunidense, Donald Trump, junto do presidente chinês, Xi Jinping. Foto: Divulgação/Casa Branca

China entra no tabuleiro diplomático

A crise também ganhou dimensão geopolítica maior com a expectativa da visita de Trump a China na próxima semana.

Analistas avaliam que Washington deseja apresentar algum avanço diplomático antes da viagem e espera que Pequim use sua influência econômica sobre Teerã para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz.

O governo chinês já defendeu publicamente um cessar-fogo abrangente.

Apesar das negociações, autoridades paquistanesas admitem que a desconfiança entre EUA e Irã continua elevada e que o cenário segue indefinido.

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Fumaça sobe após ataque israelense no dia 08 de março, em um caminhão-tanque no Teerã, Irã. Foto: Majid Asgaripour/WANA

Petróleo cai após rumores de acordo

A possibilidade de um entendimento fez o preço internacional do petróleo despencar nesta quarta-feira, depois de fortes altas registradas no início da semana.

O barril do Brent caiu em direção aos US$ 101 após rumores de que um acordo poderia permitir novamente o fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico.

O aumento dos combustíveis se tornou um problema político para Trump, especialmente diante das eleições legislativas americanas previstas para novembro.

Enquanto isso, o conflito permanece em impasse: o Irã sofre perdas econômicas severas, mas os EUA enfrentam pressão interna e internacional diante da disparada do petróleo e do risco de ampliação da guerra no Oriente Médio.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.