Túlio Silveira, advogado da Precisa que depõe à CPI, fez campanha para Bolsonaro e defende “tratamento precoce”

Túlio Silveira é o representante legal da Precisa na negociação da vacina indiana Covaxin, da Bharat Biotech, com o Ministério da Saúde – Reprodução / Facebook Túlio Silveira

A CPI da Covid ouve, nesta quarta-feira (18), o advogado Túlio Silveira, representante legal da Precisa Medicamentos.

A empresa é acusada de irregularidades na negociação da vacina indiana Covaxin com o Ministério da Saúde.

As redes sociais de Silveira, que assinou o contrato para compra do imunizante, são um verdadeiro lamaçal bolsonarista.

Em 2018, ele fez campanha para Jair Bolsonaro.

A mulher do advogado, Elaine Medeiros Mano da Silveira, foi filiada ao PSL, antigo partido do presidente.

Imagens de perfil publicadas por Elaine Medeiros no Facebook / Reprodução/Facebook

Os dois apoiam o “tratamento precoce” contra a Covid-19 nas redes sociais, além de convocarem para atos pró-governo.

Na época em que surgiu o escândalo da Covaxin, Silveira se defendeu e compartilhou no Facebook o mesmo versículo citado pelo ministro Onyx Lorenzoni durante entrevista no Palácio do Planalto, Efésios 6:12.

“Pois nós não estamos lutando contra seres humanos, mas contra as forças espirituais do mal que vivem nas alturas, isto é, os governos, as autoridades e os poderes que dominam completamente este mundo de escuridão”, diz o trecho bíblico.

Atuando como intermediária entre a pasta e a fabricante do imunizante, Bharah Biotech, a Precisa nunca divulgou o valor que arrecadaria nesta função.

Os documentos enviados pela farmacêutica no contrato da vacina apontam uma série de denúncias de fraude e irregularidades.

As denúncias causaram o cancelamento da compra da Covaxin, cujo valor total era de R$ 1,6 bilhão para custear 20 milhões de doses.

Túlio Silveira tentou fugir do depoimento

O Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu habeas corpus ao advogado.

Ele alegou “sigilo profissional” para não ser “compelido a depor sobre a Precisa na CPI, sob pena de cometimento do crime de violação do sigilo funcional”.

O pedido foi acatado parcialmente pelo ministro Luiz Fux, que o permitiu não responder apenas a perguntas que possam incriminá-lo.

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