VÍDEO: Gilmar expõe diálogos da Lava Jato com Vladimir Netto, filho de Míriam Leitão

Vladimir Netto e Moro no lançamento do livro sobre a Lava Jato

Gilmar Mendes leu no julgamento da suspeição de Moro nesta terça, dia 9, alguns diálogos da Operação Spoofing que citavam o filho de Míriam Leitão, Vladimir Netto.

“Havia um tipo de consórcio com a mídia, um tipo de assessoria de imprensa fornecida pela mídia em relação à força tarefa”, disse (veja no pé deste artigo).

O trecho das mensagens que Gilmar expôs é sobre uma nota que o repórter do Jornal Nacional ajudou a fazer.

Deltan Dallagnol enviou rascunho para análise dele em junho de 2016.

O jornalista diz a Dallagnol, segundo o relato deste, que não valeria a pena soltar o comunicado, a não ser que fosse “para não deixar Moro sozinho”.

“A nota é pra acalmar e não comprar briga”, aconselha Netto, conforme o procurador.

A parceria seguia na vida real, também.

Vladimir “entrevistou” DD na feira literária de Poços de Caldas em 2017, quando o amigo lançou “A Luta contra a Corrupção”.

Na leva de conversas liberada por Lewandowski à defesa de Lula e cujo sigilo foi levantado, Deltan informa estar revisando seu livro.

Não se sabe exatamente a obra.

O filho de Míriam Leitão, vamos lembrar, é autor da hagiografia “Lava Jato – O juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil”, que vendeu mais de 200 mil exemplares.

O personagem principal, o ex-juiz, esteve no lançamento na capital do Paraná e posou para as câmeras com Vladimir e a mãe.

No livro, Vladimir se encanta como Moro exibe “rigor e coragem”, conduz tudo “com maestria”, “trabalha com afinco em busca de resultados”,  é “um excelente pai”, “trocava fraldas, acordava à noite quando a bebê chorava e cuidava do umbigo da menina.”

Vladimir enviou email ao DCM, negando que “reconheça” os diálogos e apontando incongruência de datas:

A serem verdadeiros os diálogos, a leitura da íntegra do material divulgado pelo Supremo Tribunal Federal mostra claramente que a data em que a conversa teria ocorrido é 31 de março de 2017 e 2 de abril de 2017. Meu livro foi lançado em maio de 2016, não poderia estar sendo revisado quase um ano depois de publicado. 

Aliás, nunca permitiria a revisão do meu livro por qualquer das partes envolvidas. Também não é verdade que tenha dado consultoria aos procuradores, não reconheço os diálogos, como já disse diversas vezes. 

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