VÍDEO – Mulher denuncia juiz de SP por violência física, sexual e psicológica: “Queria morrer”

Atualizado em 27 de março de 2023 às 12:11
Valmir Maurici Júnior, juiz de direito acusado pela esposa de violência física, sexual e psicológica — Foto: Reprodução

O juiz Valmir Maurici Júnior, da 5ª Vara Cível de Guarulhos (SP), é acusado pela esposa de violência física, sexual e psicológica. Vídeos feitos com o celular da vítima comprovariam as agressões. O caso foi revelado pelo G1.

Em uma das gravações, o juiz dá um tapa na cabeça da vítima. Em outro, ele dá empurrões, chute e a xinga, e ela cai no chão. Segundo a mulher, os episódios teriam ocorrido em outubro de 2022, na casa em que os dois moravam, em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo. 

Em um terceiro vídeo, de abril de 2022, aparentemente gravado pelo próprio juiz, ele a submete a uma relação sexual, segundo a vítima, não consentida por não ter tido opção de escolha. “Na verdade, eu nunca consenti com aquelas coisas. Eu não tinha opção. Então, eu nunca consenti com nenhuma violência. Mas eu era casada”, disse a mulher.

O casal está em processo de separação. Em novembro do ano passado, a mulher saiu de casa. Eles se casaram em 2021 e, segundo a defesa da vítima, a violência começou depois dos seis primeiros meses de relação. Vale destacar que o juiz acusa a mulher de furto qualificado, por ela ter levado um cofre quando saiu de casa.

Valmir Maurici Júnior, juiz de direito acusado pela esposa de violência física, sexual e psicológica – Foto: Divulgação/Cejusc

“Ele sempre falou do sexo com força, mas eu não entendia o que era isso. Eu sofri todo tipo de violência com ele. Violência sexual, moral, física, psicológica. Ele usava de vários mecanismos para me deixar confusa. Ele falava: é só dar um tapa. Eu consegui perceber que saiu do contexto sexual quando eu tava na cozinha, fazendo alguma coisa, ele me dava um tapa na cara, puxava meu cabelo”, afirmou a vítima.

A vítima dizia se sentir culpada na relação e que era humilhada pelo juiz. Ela ainda disse que tentou manter o casamento, mas foi entrando em desespero e chegou a tentar suicídio. “Eu queria morrer. As acusações eram muito grandes, sabe? Nunca ele estava errado. Era sempre a minha culpa”, afirmou. “Eu cheguei a tentar suicídio.”

Em janeiro, ela obteve medida protetiva na Justiça, com base na Lei Maria da Penha, que proíbe o juiz de se aproximar e manter contato com a mulher e com pais e familiares dela. Na mesma decisão, Maurici Júnior também foi obrigado a entregar a arma a que tem direito por ser magistrado.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) abriu investigação sobre o caso. Ainda segundo o G1, o MPSP afirma que o juiz demonstrou comportamento violento, manipulador, desviado, e que potencialmente colocaria em risco” a integridade da vítima e dos seus parentes.

O procedimento está no Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo. A defesa do juiz, entretanto, nega “veementemente os fatos que lhe são imputados”.

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