“Quem tem a utopia de construir um mundo melhor está com Paulo Freire”, diz viúva do educador

Foto: Divulgação/Editora Paz&Terra

Viúva de Paulo Freire, Ana Maria Araújo Freire, com quem ele dividiu a vida entre 1987 e 1997, deu uma entrevista ao portal ‘Nova Escola’ sobre o legado do educador.

“Passados alguns anos da perda de Paulo, a saudade é mais amena, não é mais a saudade que quase me impossibilitou de viver. Entretanto, ela permanece em mim como um sentimento que dá sentido à minha vida, registra Nita no seu livro Paulo Freire: uma história de vida.

Formada em Pedagogia e professora universitária, foi durante seu relacionamento com Freire que ela concluiu a tese de mestrado e de doutorado pesquisando o analfabetismo no Brasil.

Atualmente, como sua sucessora legal, ela se dedica à organização, publicação e divulgação da obra de Freire.

Confira abaixo alguns trechos da entrevista:

Na próxima semana, comemoramos o centenário do Paulo Freire. Qual é hoje o maior legado dele na Educação?

Nunca foi tão necessário e tão procurado o pensamento de Paulo. É impressionante. Estou catalogando, com ajuda de ex-alunos doutores, todas as manifestações de tributo a Paulo.

Só esse número de homenagens que estão sendo feitas mostra a importância dele nos dias de hoje.

Ele está sendo um parâmetro de decência, de honestidade, de ética, de política para o bem das pessoas.

É um pensamento que vai perdurar por muitos anos. Paulo se preocupa com as condições de humanidade dos seres humanos.

Ele quer conscientizar [os oprimidos] da realidade para que possam se inserir na sociedade e possam interferir. 

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Nos últimos anos, Paulo Freire sofreu muitos ataques do governo atual. Na alta do Escola Sem Partido foram criadas muitas fake news que colocavam o educador como um doutrinador. Como a senhora vê esses ataques? Acha que isso impactou a imagem de Freire?

Acho que não. [Na verdade, acredito que] aumentou.

Hoje, a literatura de Paulo ganhou uma dimensão ainda maior, porque está sendo procurada e muito solicitada por diversos setores.

Foi um autor que tentaram desmoralizar, foi chamado de energúmeno pelo capitão [a afirmação foi feita pelo Presidente Jair Bolsonaro em 2019].

Isso provocou uma curiosidade muito grande [entre os mais jovens] para saber quem era esse homem que estão acusando de coisas muito vis, quem era esse sujeito tão diabólico que tem gente que adora e quem fala que é um doutrinador.

Por isso, o número de leitores de Paulo tem aumentado no Brasil e no mundo todo. 

Tem gente que está começando a ler e entender Paulo agora e se maravilham, porque ele [Freire] responde a todas as angústias.

Paulo tinha a capacidade de pensar o ser humano.

Como diz Ernani Maria Fiori [professor de Filosofia, contemporâneo de Freire]: Paulo não pensava em ideias, mas pensava na existência humana.

Quem é adepto do amor, de uma vida mais solidária, unida, inteira, está com Paulo. Quem tem a utopia de construir um mundo melhor está com Paulo. 

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