“A fase ativa da guerra deve acabar no final de maio”, diz escritor ucraniano ao DCM

Atualizado em 30 de março de 2022 às 18:08
O escritor Dmytro Chystiak em entrevista ao DCM, realizada no dia 27 de março.

A literatura está em segundo plano na vida do premiado escritor ucraniano Dmytro Chystiak. Seus dias em Kiev, onde vive, são dedicados à coleta de fundos para a ajuda humanitária e entrevistas à imprensa estrangeira.

Para o poeta, a guerra não passa de uma sequência histórica. “Durante séculos, a Ucrânia lutou por liberdade, sobretudo contra a Rússia”, explica em entrevista ao DCM.

O intelectual descreve uma batalha contra o colonizador, cuja mentalidade se tornou totalmente estrangeira apesar de séculos de dominação.

O escritor faz uma análise da mentalidade ucraniana, que na sua visão a Rússia cometeu o erro de ignorar. “Vladimir Putin encarna uma visão do mundo regressiva, um amor ao passado, pela glória do império russo, a nostalgia pela União Soviética, tão fora da nossa vida contemporânea, da nova ordem mundial que está sendo criada.”

“Eu diria que é uma outra lógica, a lógica de um Estado totalitário, um Estado que parece muito com o nazista.”

Para Chystiak, Putin precipitou sua própria queda e o retorno do Donbass e da Crimeia à Ucrânia.

O secretário internacional da Academia Europeia de Ciências, Artes e Letras preconiza que intelectuais e artistas tenham um papel fundamental para pensar o novo mundo que emerge.

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Leia entrevista com o escritor ucraniano Dmytro Chystiak

DCM: Como é hoje sua vida hoje em Kiev?

Dmytro Chystiak: Eu e minha família decidimos ficar em Kiev diante da ameaça dessa roleta russa que nós vivemos, entre mísseis e artilharia. Penso que somos mais úteis e organizados em Kiev. Meu trabalho, que consiste em promover a literatura ucraniana no exterior, necessita de uma presença constante e meios técnicos que ainda temos. Dedico meu tempo justamente às relações internacionais com escritores, leitores e outras instituições estrangeiras para recolher doações, pedir ajuda a refugiados, aos nossos voluntários e intervir na mídia estrangeira. Isso dá resultados.

Temos muitos amigos no mundo inteiro. Eles e instituições se mobilizaram em apoio à Ucrânia, mas é um trabalho que necessita de meios técnicos no dia a dia. Se eu partir, poderá demorar mais, posso ficar bloqueado e essa comunicação não ser mais possível.

Com a minha saúde e problemas de vista, eu poderia não ser muito útil no exército ou nas milícias territoriais, mas se posso coletar fundos para os ucranianos, é talvez a melhor solução.

O senhor vive com medo?

Fiquei bastante surpreso. Quando se vive essa nova realidade, o medo se dissipa muito rápido. Talvez no primeiro dia sentíamos um pouco de medo. Era algo novo para nós. Agora nos tornamos um pouco fatalistas. Se o míssil cair, ele cairá. Ele pode cair tanto num lugar como em outro, então por que teria de ser na minha casa?

A vida já está organizada, sabemos o que se deve fazer. Quando comparamos nossa vida à do exército, voluntários e milícias territoriais, compreendemos que eles deveriam ter mais medo do que nós.

Você tem muitos vínculos internacionais. Por que ficou na Ucrânia?

Eu não imaginava sequer a possibilidade de deixar a Ucrânia quando meu povo vive tamanho sofrimento, tamanha tragédia nacional, mas também um heroísmo nacional. Fui bastante solicitado por amigos internacionais na América, Europa e Ásia.

Penso que é mais importante e útil para mim ficar em Kiev para reunir as possibilidades que temos graças às nossas relações internacionais. O que é importante hoje é parar o agressor. Se não pararmos o agressor, ele não se limitará à Ucrânia.

Toda a civilização europeia está em perigo. Devemos compreender que a guerra que ocorre na Ucrânia não é entre a Rússia e a Ucrânia. É uma guerra entre duas imagens do mundo. A imagem do passado, totalitária, a nostalgia do império soviético, e a imagem de um mundo novo, livre, um mundo civilizado. Não podemos voltar a esse mundo neofeudal que é a Rússia.

Compreendemos muito bem que essas tensões internacionais vão muito além de uma guerra entre dois países. Para apoiar esse combate pela liberdade, eu não poderia me exilar no exterior.

Você escreve hoje?

Não tenho tempo para me dedicar a escrever porque o que escrevo nesse momento são correspondências internacionais, intervenções na mídia. Se Deus me permitir, eu gostaria de testemunhar esse momento existencial que eu tive a sorte de viver e meus colegas também. Vários escritores ucranianos estão muito tocados, alguns estão em choque. Alguns perderam todos os seus bens.

Tudo isso, com o tempo, vai inspirar obras que poderão ser interessantes para o mundo inteiro. Mas é preciso um recuo. O que podemos fazer é anotar tudo que acontece no nosso entorno, como uma espécie de diário. É o que estou fazendo.

Em relação às razões ou “desrazões” que levaram à guerra, como chegou-se a esse ponto?

Se recuarmos e considerarmos a história da Ucrânia, que suponho ser bastante desconhecida no exterior, para nós, a situação que vivemos é uma sequência lógica de acontecimentos históricos porque, durante séculos, a Ucrânia lutou por liberdade, sobretudo contra a Rússia. Não apenas, mas sobretudo contra a Rússia.

Do principado de Kiev, que era a base, o centro cultural histórico e econômico do que chamava-se na época de império da Rus’, derivaram diversos principados que se tornaram mais tarde a Rússia e a Bielorrussia.

Já no século XII essas tensões eram observadas, entre eslavos do norte, que tinham uma forte influência asiática, e os eslavos do sul, a exemplo da Ucrânia. Kiev estava submetida aos vizinhos do norte. Era uma barreira. Antes disso, apesar das lutas entre principados, não se podia imaginar que uma cidade central como Kiev pudesse ser destruída pelo fogo e pelo sangue .

Houve conflitos com a Rússia durante séculos. A Ucrânia, enquanto Estado independente, teve diversas etapas históricas. Fizemos parte do grande ducado da Lituânia, do Reino da Polônia e da República dos Cossacos do século XVII e da anexação, pela Rússia, no século XVIII. Então, alguns séculos de dominação russa. Em 1917 é criado o Estado Ucraniano, independente, que não durou, mas foi depois incorporado à União Soviética.

Durante todos esses séculos, a Ucrânia era um Estado com uma forte presença e grande influência europeia. A Polônia e a Lituânia eram Estados europeus e a Ucrânia fazia parte deles. Sobre toda essa história, a dominação russa não era algo realmente determinante.

Mas agora, quando vemos as posições da Rússia de querer restabelecer a União Soviética, de destruir os que não concordarem com essa concepção, essa hierarquia e esse Estado totalitário asiático que esta agora instalado na Rússia, mas também há séculos, é algo que nos é totalmente estrangeiro.

Claro que há problemas de um país que tem ainda influências pós-coloniais. Saímos de 80 anos do jugo da União Soviética, mas eu diria que o que acontece na Ucrânia e o que acontecia antes, com a Revolução de Maidan, a revolução laranja, é o renascimento dessa identidade europeia, que para mim e diversos outros colegas já está enraizada na nossa mentalidade ucraniana, o que é na verdade um retorno ao que foi a Ucrânia na Idade Média, quando ela fazia parte do Grão-Ducado da Lituânia e do Reino da Polônia.

Os nossos vizinhos do norte tinham outra mentalidade, asiática. Penso que a grande linha, fronteira, entre o mundo europeu e o mundo asiático será na Ucrânia. Será uma das consequências da guerra entre Ucrânia e Rússia.

Com o tempo, a Ucrânia poderá se tornar uma parte integrante do que chamaríamos essa União Europeia, pela sua mentalidade, sua imagem do mundo, que é muito próxima do que vive o povo ucraniano. Na verdade, é uma restituição da justiça histórica, agora impossível de ser parada. A Rússia caminha rumo ao passado. Mas esse passado não vai durar.

Segundo o Kremlin, as revoluções coloridas são manipulações do ocidente. Esse discurso não faz nenhum sentido?

Geralmente dizem que o governo russo é gente que tem uma certa loucura. Eu não tenho essa sensação. Eu diria que é uma outra lógica, a lógica de um Estado totalitário, um Estado que parece muito com o Estado nazista.

O que vemos hoje na Rússia é a nostalgia de um passado glorioso, que inclusive é bastante discutível. Essa tendência ao neofeudalismo é uma espécie de nova aristocracia, próxima de um czar. Tudo isso remete a uma outra visão do mundo. Por isso eu falo de uma visão de mundo asiática. Para os ucranianos, ela é impossível.

Para nós, essas tendências neonazistas à glorificação da extrema direita, calvinista, é impossível. Mas para a Rússia, é muito orgânico. Penso que é apenas um período da história da Rússia, mas infelizmente esse período dura séculos.

Por isso, quando ele (Putin) fala dessas influências do ocidente, ele se projeta a si próprio sobre outros países. Sabemos pelo serviço secreto ucraniano que Putin foi muito mal informado pelos seus serviços secretos.

Diziam a Putin que havia muitos apoiadores da Rússia na Ucrânia que queriam voltar a uma espécie de nova União Soviética e que eles (russos) seriam apoiados.

Por isso ele pensou que essa “blitzkrieg” instantânea iria ter êxito. Mas ele foi enganado por seus conselheiros porque isso é não compreender que a Ucrânia não é a Rússia, que é outra mentalidade. Para nós, os valores europeus não são algo exterior, é algo totalmente enraizado na mentalidade ucraniana.

Por isso que almejamos a Europa, não é para ter alguns bens materiais, como poderia pensar Putin. É nossa necessidade orgânica. Para eles, isso é impossível de se compreender porque eles acreditam que no nosso país deve haver um czar, como na Rússia, pois eles não compreendem o que é ter um Estado com tendências democráticas. Eles tentam projetar suas ideias sobre o mundo sobre um país que não é do mesmo gênero. Vemos que está fracassando.

Se olharmos para outros Estados asiáticos, poderíamos encontrar outros exemplos que parecem à Rússia, mas não na mesma proporção. Por isso digo que o limite entre a civilização europeia e a civilização asiática passa pelas nossas fronteiras.

O papel da Bielorrússia, por exemplo, é questionável, pois é um país que poderia e poderá ainda ter perspectivas europeias, porque está mais ao sul da Rússia. Mas depois de todos esses anos de regime Lukachenko é muito difícil resolver esse problema.

Como você caracteriza Vladimir Putin?

Vladimir Putin encarna uma visão de mundo regressiva, um amor ao passado, pela glória do império russo, a nostalgia pela União Soviética, tão fora da nossa vida contemporânea, da nova ordem mundial que está sendo criada. São as categorias que ele utiliza, a dominação de um Estado pelo outro por forças armadas, é tão ultrapassado que não tem mais nenhuma perspectiva.

Então é uma questão de tempo. O regime de Putin vai cair num momento ou outro e talvez mais cedo do que pensamos. Talvez será substituído pelo mesmo tipo, mas ele não durará muito tempo.

Haverá uma evolução global da humanidade. Humanidade que vive em outra época. Por exemplo, suas tentativas de bloquear as redes sociais, Ele vive em outra época, até mesmo outra dimensão. Ele está condenado.

Outro dia conversei com o Patriarca da Ucrânia. Ele me disse que de todo modo Putin vai no sentido contrário. A globalização vai num sentido e Putin no outro. Ora, cedo ou tarde é a globalização que vai destruir Putin. Essa é a visão que tenho.

Foi um erro muito grave, mesmo se na lógica de Putin é totalmente normal, atacar a Ucrânia há 8 anos e ainda maior no mês de fevereiro. É aí que esse regime chegará ao seu fim. Isso será inevitável. Espero que o veremos, mas a evolução do mundo não poderia parar por causa de Putin.

O que você pensa do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky?

Penso que, para a maioria dos ucranianos, o papel de Zelensky foi reconsiderado nesses últimos tempos. Tínhamos muitas reticências em relação a Zelensky em relação às políticas econômicas, culturais, por exemplo, mas penso que agora ele, as pessoas de seu governo e o parlamento dão uma nova possibilidade à Ucrânia.

Para os ucranianos, o mais importante hoje é a libertação da Ucrânia. Mas se falarmos da constituição de um Estado europeu, um Estado com normas, leis que devemos respeitar para fazer parte da União Europeia, há um enorme trabalho para o qual será necessário reforçar bastante Zelensky, governo e parlamento ucraniano para que esse caminho seja o menos espinhoso possível.

Penso que Zelensky e os parceiros nacionais o compreendem muito bem, sua figura e das pessoas em torno dele são figuras adequadas. Depois, penso que será necessário unir o que há melhor no potencial intelectual ucraniano e também estrangeiro para ajudar o desenvolvimento mais adequado para a Ucrânia para aproximá-la do modelo dos nossos vizinhos do oeste, como a Polônia e outros países.

Para isso, ou vai ser necessário que Zelensky forme uma equipe muito grande ou que haja uma cooperação internacional. Eu creio mais nessa última.

Zelensky
Zelensky. (crédito: Sergei SUPINSKY / AFP)

O presidente brasileiro diz que não tomará medidas que representem um prejuízo para a economia de seu país, um modo de expressar sua proximidade com Putin. O que pensa?

Para mim, e é o que eu digo aos meus colegas, é preciso olhar em perspectiva. Se hoje o regime de Putin e da Rússia contemporânea tem ainda meios de cooperação com outros países, isso não vai durar muito tempo.

Do ponto de vista moral, a cooperação com um país neonazista é uma dificuldade. Mas cada um decide de que lado quer ficar. É preciso distinguir o governo do povo. Penso que se houver um testemunho de solidariedade entre o povo brasileiro e o povo ucraniano, será muito importante.

Um governo é um marcador do povo. Se houver uma contradição entre o querer do povo e o querer do governo, cabe ao povo dizer sua posição por diferentes modos.

Na Europa e nos Estados Unidos, já vemos povos que fazem uma grande pressão sobre o governo. Com o tempo, a posição do governo brasileiro vai mudar. A derrota econômica da Rússia está próxima. Nessas condições, será impossível conduzir uma política econômica muito próxima da Rússia.

É preciso pensar no que a Rússia se tornará depois (da guerra). Os países que vão decidir o destino econômico da Rússia vão trabalhar com o mundo inteiro através da Rússia. Eu diria que é mais importante estar do lado desses países do que do lado da Rússia.

Quais são os efeitos dessa guerra a longo prazo?

Segundo nossas informações, a fase ativa da guerra deve acabar no final de maio. As regiões que são hoje anexadas pela Rússia vão voltar para a Ucrânia no final do ano.

Inclusive a Crimeia?

A Crimeia, um pouco mais tarde. Na Crimeia, será criada uma espécie de administração internacional. Haverá um referendo sobre o destino da Crimeia e ela voltará à Ucrânia. Na Crimeia, as pessoas estavam um pouco desorientadas em 2014, inclusive como na região do Donbass.

Quando se compara a vida de antes e a vida sob o controle da Rússia, é evidente que eles querem voltar para a Ucrânia. É inclusive a razão pela qual não havia nenhum apoio aos russos em todo o território da Ucrânia contemporânea, digo no território não ocupado.

Eles já viram o que aconteceu nessas regiões e não querem de jeito nenhum entrar na mesma situação. Com o tempo, a Crimeia vai voltar à Ucrânia. Mas a queda do regime de Putin está muito mais próxima do que acreditam alguns dos nossos colegas ocidentais.

Até o fim do ano será outra coisa. A Rússia está condenada à descentralização. O poder do exército russo depois da guerra será mínimo. A China já está muito interessada e todos os outros países civilizados porque eles compreendem que, com o aparato material do qual a Rússia dispõe, eles poderão se beneficiar de diferentes possibilidades. Por isso eu digo que não se deve tratar com a Rússia mas com os vencedores.

Os vencedores serão os Estados Unidos. A Ucrânia tem um papel que não é mais importante do que os outros. Ela é utilizada para destruir o exército russo. Por isso a chegada de armamento na Ucrânia é tão lenta porque o objetivo é fazer a guerra durar o maior tempo possível até que o exército russo seja quase totalmente destruído. Então poderiam dispor da Rússia. São projetos longínquos. Não há alternativa. São projetos que foram feitos ainda antes da guerra.

O senhor fala da invasão russa por Putin?

Sim. Pois Putin não é uma figura independente. Se olharmos atentamente sua biografia, seus vínculos com os Estados Unidos… O que Putin fez com a destruição da Rússia é formidável para nós, ucranianos.

Foi ele que fez mais pela consolidação da Ucrânia. O que ele fez pela destruição da Rússia também é extraordinário, pois é um projeto antigo. Ele só exerce um papel entre outros. Por isso, o progresso histórico não para. Ele continua e a figura de Putin é uma das figuras que nessa história não conta de verdade. Poderia ser outra pessoa.

Haverá uma reorganização da União Europeia e o papel da Ucrânia será muito importante. Será outro mundo. Mas nesse mundo, outras crises virão. Não é um mundo idealizado.

Será necessário considerar qual relação ter com outros países asiáticos. Primeiramente, a China. Eu fui convidado à China, tenho uma visão sobre a literatura chinesa, devo dizer-lhe que é uma civilização a estudar profundamente para compreender o raciocínio dos países asiáticos. É aí que temos relações internacionais importantes a construir, o que requer o começo de um estudo aprofundado dessas civilizações, para que não sejam consideradas rápido demais como antagonistas à Europa mas para compreender seu raciocínio e encontrar uma espécie de consenso com esse raciocínio.

Com a Rússia, não soubemos encontrar esse consenso por enquanto. É um mundo de amanhã a repensar. São os intelectuais, homens de cultura, que se debruçam sobre essas considerações. Por que o papel do escritor é importante?

Porque é preciso remodelar essa nova ordem que está se instalando e que seja uma coabitação progressiva para todos, não apenas para os países democráticos ou apenas totalitários, ou outros talvez não totalitários, mas diferentes. Por exemplo, a Turquia, um país híbrido.

É preciso se voltar para a Ásia, porque sem isso não será possível compreender essa progressão e essa coabitação. Mas é claro que com regimes neonazistas como o de Putin isso não funcionará. Não se deve ter ilusões de que isso mudará um dia. É preciso bloqueá-lo, destruí-lo. Cartago deve ser destruída. Não há outra solução para a civilização europeia.