Área derrubada da Amazônia em terras indígenas e protegidas é 3 vezes maior que a cidade de SP. Por Nara Lacerda

Amazônia
Mais de 460 mil hectares foram devastados para extração de madeira na Amazônia – Ricardo Oliveira / AFP

Publicado originalmente no site do Brasil de Fato

POR NARA LACERDA

Resultados do Sistema de Monitoramento de Exploração Madeireira (Rede Simex) indicam que a extração na Amazônia continua ocorrendo de forma ilegal em regiões de proteção integral, reservas indígenas e unidades de conservação de uso sustentável.

Os dados mostram também que, somente no período entre agosto de 2019 e julho de 2020, a área total devastada para retirada de madeira foi três vezes maior que a cidade de São Paulo. Foram 464 mil hectares, mais da metade no Mato Grosso, 15,3% no Amazonas e 15% em Rondonia.

Embora a maior parte desse total tenha ocorrido em imóveis rurais cadastrados, mais de 11% do território explorado se encontram em áreas protegidas. Nas terras indígenas, 24 mil hectares foram atingidos. As situações mais críticas foram observadas nos territórios Tenharim Marmelos (AM). Com 6 mil hectares, Batelão (MT), com 5.000 hectares, e Aripuanã (MT), com 3.000 hectares.

Em unidades de conservação foram 28 mil hectares devastados. Somente no Parna dos Campos Amazônicos (AM), região de proteção integral onde a exploração é totalmente proibida, o estrago chegou a 9 mil hectares. Foi identificada atividade madeireira também em terras não destinadas, áreas públicas em que a extração não é permitida.

O problema pode ser ainda maior, porque há falta de informações sobre autorizações para o manejo florestal na maioria dos estados. Essa verificação só é possível no Pará e no Mato Grosso. O levantamento envolveu sete dos nove estados da Amazônia Legal, que concentram quase toda a produção brasileira: Acre, Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima.

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“A transparência é fundamental para qualificar o debate sobre o setor florestal na Amazônia e para combater a madeira ilegal. Enviamos pedidos de acesso aos dados via LAI, a Lei de Acesso à Informação. E temos dialogado com todos os órgãos estaduais de meio ambiente visando a construção de uma agenda positiva. E o compartilhamento de conhecimento”, ressalta Leonardo Sobral, gerente florestal do Imaflora, umas das organizações responsáveis pelo estudo.

A Rede Simex é composta por pesquisadoras e pesquisadores do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e do Instituto Centro de Vida (ICV).