ANPR diz que Bolsonaro contraria discurso de combate à corrupção ao não aderir a lista tríplice

Publicado em 19 outubro, 2018 6:37 pm
Jair Bolsonaro. Foto: Mauro Pimentel / AFP

Da Folha

O presidente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), José Robalinho Cavalcanti, criticou nesta sexta (19) o deputado Jair Bolsonaro (PSL), candidato à Presidência da República, por não se comprometer, caso seja eleito, com a escolha do procurador-geral da República em lista tríplice definida em eleição pelos integrantes do MPF (Ministério Público Federal).

Em entrevista à Folha, ele disse que o candidato contraria o próprio discurso de sua campanha ao, supostamente, não aderir a um processo que, em seu entendimento, contribui para que a instituição se fortaleça e atue com independência para investigar.

“Essa posição não se coaduna com quem teve 50 milhões de votos e foi para as ruas obter esse apoio popular dizendo que vai apoiar a Lava Jato e o combate à corrupção. Um dos pilares de ter funcionado bem a Lava Jato é a independência do MPF. Não existe independência do MPF com essa conceituação que foi colocada pelo deputado”, declarou.

Em entrevista ao Jornal Nacional na última terça (16), Bolsonaro afirmou que não necessariamente vai aderir à lista tríplice, formada após pleito organizado pela própria ANPR.

Ele alegou que escolherá, entre procuradores, alguém que, no seu entendimento, “esteja livre do viés ideológico de esquerda”. O candidato adiantou, no entanto, que não indicará integrante do Ministério Público Militar para o posto.

Desde a entrevista de Bolsonaro, o presidente da ANPR mantém conversas com o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) – cotado para ser chefe da Casa Civil num eventual governo do capitão reformado do Exército –, na tentativa de demover a campanha da ideia. Até a tarde desta sexta, não houve recuo. “Temos esperança de que ele [Bolsonaro] mude, porque isso é um equívoco grave.”

Após a manifestação do candidato do PSL, o adversário, Fernando Haddad (PT), reafirmou o compromisso de seu partido de manter a tradição de sempre nomear para chefe da PGR o mais votado da lista tríplice.
“O PT não titubeou, merece os parabéns por ter mantido o seu compromisso histórico. Foi o primeiro governo a respeitar a lista”, afirmou Robalinho.

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