Após Folha acusar Lula de censura, Haddad lembra que jornal quis fechar veículos estrangeiros

Folha acusa Lula de censura
Lula. Foto: AFP

A Folha de S. Paulo decidiu acusar o ex-presidente Lula de tentar censurar veículos em editorial.

No texto intitulado como “ideia fixa de Lula”, o jornal diz que o petista “convive mal com a crítica e a cobrança”.

O veículo ainda sugere que ele pode “usar dinheiro do Estado para favorecer coberturas favoráveis” e diz ser “inadmissível” intervir sobre conteúdos.

Fernando Haddad lembrou que, em 2016, no entanto, a Folha não tinha o mesmo discurso.

Naquele ano, a ANJ (Associação Nacional de Jornais) entrou com uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) no STF (Supremo Tribunal Federal) reivindicando que jornais online não possam ter mais de 30% da participação de capital estrangeiro.

O processo atingia portais de notícia como a BBC Brasil, o Intercept Brasil e o El País.

A ANJ é comandada pelos jornais Folha de S. Paulo e O Globo.

Constituição também cita monopólio, que a Folha ignora

Na ação enviada ao Supremo, a ANJ usou como base o Art. 222 da Constituição Federal.

O parágrafo 1 do artigo afirma:

“Pelo menos setenta por cento do capital total e do capital votante das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens deverá pertencer, direta ou indiretamente, a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos”.

Os jornais se esqueceram do artigo 220 da mesma Constituição, que afirma, em seu parágrafo 5:

“Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”.

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