Lavrov sobre possibilidade de guerra nuclear: melhor perguntar a Biden

Atualizado em 2 de março de 2022 às 15:12
Sergey Lavrov e Joe Biden
Sergey Lavrov e Joe Biden

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, comentou os diversos pontos envolvendo as tensões com a Ucrânia e como o Ocidente está profundamente relacionado com a escalada vivida na Europa.

A Rússia está pronta para discutir garantias de segurança na segunda rodada de negociações, disse o chanceler russo, tendo referido como passo positivo o desejo do presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, de receber essas garantias para seu país.

“Mas representantes da Ucrânia demoram de novo, como no primeiro encontro, ainda não confirmam a realização da segunda rodada. Vão demorar. Acho também que os norte-americanos não lhes permitem. Ninguém acredita na autonomia de Kiev no momento”, disse o chanceler russo, Sergei Lavrov.

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Lavrov diz que Rússia não vai discutir a Crimeia

Quando questionado sobre as possíveis condições para as negociações com a Ucrânia, Lavrov destacou que a Rússia não vai discutir a Crimeia. “Essa questão está fechada”, disse ele.

O ministro sublinhou que provavelmente alguém gostaria que “a Rússia afundasse nesse conflito artificial, criado pelo Ocidente”.

A determinação da Rússia em não permitir o derramamento de sangue parte de fatos que se tornaram mais ameaçadores para a Rússia por causa do Ocidente.

“Nossa determinação em não permitir o futuro derramamento de sangue, não permitir que a Ucrânia se torne uma praia para ataque contra a Federação da Rússia, define não do que o Ocidente planejava ou não planejava, nós nos baseamos de fatos ‘em terra’ quando tomamos medidas”, disse Sergei Lavrov.

Ainda segundo o ministro, após o fim do conflito no país, o povo ucraniano deve decidir como vai viver.

“Os ucranianos devem decidir por si próprios como eles vão viver, depois de esse conflito que eles desencadearam acabar, [conflito] que nós tentamos agora resolver. Isso agora está sendo discutido nos círculos dos cientistas políticos. Eu não participo dessas discussões. Nós partimos definitivamente de que isso deve ser a opinião de todos os povos que moram na Ucrânia”, disse ministro russo em entrevista ao canal de TV al-Jazeera.

O ministro russo também voltou a afirmar que as repúblicas populares de Donetsk e Lugansk devem ser reconhecidos nas fronteiras das regiões de Donetsk e Lugansk, respetivamente.

A Rússia está fazendo tudo para não permitir vítimas sérias entre população civil durante a operação militar, destacou o ministro. Segundo ele, junto com milícias das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, as Forças Armadas da Rússia usam armas de alta precisão e eliminam apenas infraestrutura militar das autoridades ucranianas no âmbito da tarefa de desmilitarização.

O ministro também voltou a levantar preocupações sobre obtenção de armas nucleares pela Ucrânia.

“Há potencial técnico, tecnológico. O presidente Putin falou sobre isso, nossos especialistas comentaram essa situação. Posso afirmar com a toda a responsabilidade que não permitiremos isso [da Ucrânia obter armas nucleares]”.