Geraldo encosta em Lula para ganhar musculatura e PT pode acabar sozinho no final

Veja Lula e Alckmin
Lula e Geraldo Alckmin. Foto: Ricardo Stuckert/Wikimedia Commons

A união de Lula com Geraldo Alckmin é sim uma boa ideia.

Não é de hoje que se fala que PT e PSDB ainda iam acabar noivando e casando. Sempre foi na realidade mais um sonho do PT do que do próprio PSDB: se juntar com a moçada dos jardins e promover a união do peonato com os filhos da burguesia.

A se considerar uma sociedade civilizada, que procura uma saída para a noite de terror de Bolsonaro, a ideia é plausível. PT e PSDB têm muita coisa em comum, a começar pela noção de sensibilidade social.

Se João Doria mudou esse cenário, levando o partido para a extrema-direita, Geraldo representa uma parte significativa que ainda segue os princípios idealizados por Franco Montoro.

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Geraldo é quem tem mais a ganhar. Quem sabe somando com o PT não consegue enfim derrotar Doria e voltar para o partido que ajudou a fundar.

Não é uma ideia maluca. Mas é preciso coragem para arriscar.

E é aí que a situação se complica. Geraldo é indeciso. Joga parado. Nem dona Lu sabe o que passa na cabeça dele.

E isso interessa para o PT?

Vamos imaginar que esse namoro passe o final do ano, as férias e chegue até o carnaval.

O canto de sereia tucano

Em março, de tão cortejado, Geraldo deixará de ser o cidadão comum para se tornar uma Rainha da Inglaterra, uma Ângela Merkel de calça de tergal.

E então, bingo: decide que será mesmo candidato ao governo de São Paulo, que precisa concluir sua missão, blá, blá, blá. O que o PT, que já não o terá como vice, vai fazer com a candidatura de Fernando Haddad?

A aproximação de PT e PSDB, especialmente agora que os tucanos serão comandados por Doria, tem a torcida de muita gente. Na saúde isso é notório. Na educação também, para ficar em apenas dois segmentos.

No caso de Geraldo está sendo ótimo. Ao mesmo tempo que ganha musculatura, tem tempo para decidir o que vai fazer.

De outro lado, o PT sabe que Lula transcendeu os limites do país e se tornou uma liderança de âmbito global. Ser vice do ex-presidente hoje é quase como ganhar um bilhete premiado de loteria.

Geraldo sabe disso. E as pesquisas indicam que a aproximação é bem vista pela sociedade.

A questão é saber se terá coragem para encarar o desafio. Muita gente próxima ao ex-governador é contra. Para esse pessoal, o PT é um inimigo, pronto e acabou.

As cartas continuam na mesa. Em se tratando de Alckmin, o desfecho dessa história vai longe e pode bem não ser aquele esperado pela maioria.