
Lula também manifestou a expectativa de receber Alliana em Brasília para discutir a agenda bilateral e fortalecer a integração regional. O presidente brasileiro destacou a importância dos vínculos históricos entre os países e da cooperação na América do Sul. Em resposta, Alliana agradeceu o gesto e afirmou que as duas nações continuarão unidas por laços de fraternidade, manifestando disposição para construir uma relação produtiva em benefício das populações brasileira e paraguaia.
A troca de mensagens ocorreu poucas horas depois de o Senado do Paraguai destituir Santiago Peña por unanimidade, com os votos dos 44 parlamentares presentes. O ex-presidente também teve sua prisão determinada pelo Ministério Público paraguaio e foi detido em sua residência, em Assunção, onde ficou sob custódia. A investigação criminal envolve suspeitas de irregularidades financeiras relacionadas ao Ueno Bank e é distinta do julgamento político que resultou em sua destituição.
@LulaOficial Estimado Presidente, muy grato con su saludo. Nuestras naciones siempre estarán hermanadas por lazos de fraternidad. Iniciamos una fructífera relación en homenaje a nuestros pueblos!
— Pedro Alliana (@AllianaPedro) November 7, 2026
O escândalo financeiro ganhou força após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição que reunia aproximadamente 2,9 milhões de clientes e concentrava centenas de milhões de dólares em depósitos públicos. Peña havia sido acionista de uma empresa ligada ao grupo proprietário do banco até março de 2025. Parlamentares da oposição o acusaram de conflito de interesses, favorecimento à instituição e falhas na fiscalização bancária. O ex-presidente negou irregularidades. A crise deixou correntistas sem acesso a recursos e provocou manifestações nas ruas de Assunção.
Aos 52 anos, Pedro Alliana é uma das principais lideranças do Partido Colorado, a mesma legenda de Peña. Eleito vice-presidente em 2023, o político assumiu o comando do país para completar o mandato constitucional, previsto até agosto de 2028. Alliana também foi alvo de acusações da oposição relacionadas ao Ueno Bank, incluindo suspeitas de proteção política à instituição e omissão diante de alertas financeiros. A Câmara dos Deputados, entretanto, rejeitou por 48 votos a 30 a abertura de um processo de impeachment contra ele. As acusações não representam uma condenação.
A relação entre Lula e Alliana já havia passado por um episódio de tensão diplomática. Quando ainda ocupava a Vice-Presidência, o paraguaio criticou declarações do brasileiro sobre a Guerra do Paraguai, no século XIX, mas defendeu a preservação do diálogo entre os dois países. Na ocasião, destacou os vínculos históricos e a importância da cooperação no Mercosul e na hidrelétrica de Itaipu. A mensagem desta sexta-feira retoma justamente a disposição de ambos para manter uma agenda de trabalho conjunta.
O governo Lula já acompanhava a crise política no Paraguai e seus possíveis efeitos sobre as relações bilaterais. Auxiliares do presidente brasileiro avaliavam que a saída de Peña, um dos aliados regionais de Donald Trump, representaria um revés para a influência do republicano na América do Sul. Ao mesmo tempo, consideravam que a permanência do Partido Colorado no poder reduziria a possibilidade de mudanças imediatas nas relações com o Brasil. A fronteira entre os dois países, o comércio e a administração compartilhada de Itaipu estão entre os principais interesses brasileiros na transição.