O terror do machismo nas plataformas da Petrobras. Por Moisés Mendes

Atualizado em 29 de abril de 2023 às 8:01
Plataforma da Petrobras. Foto: Geraldo Falcão/Agência Petrobras

As mulheres estão denunciando assédio moral e sexual nas plataformas da Petrobras. Uma mulher consegue se defender de homens violentos numa plataforma?

Imagino cenas de terror. Eu e o fotógrafo Antônio Pacheco, de Zero Hora, passamos um dia numa plataforma da Petrobras, há muito tempo.

A Pargo, em Campos, uma das mais antigas, parecia uma geringonça de ferro improvável no meio do mar.

Como aquilo era sustentado por pernas cravadas a 300 metros de profundidade?

E como o pessoal aguentava ficar duas semanas embarcado, sem contato com ninguém, para depois retornar à terra, onde ficavam três semanas?

Ouvi relatos de gente que viu colegas irem para a cidade e, quando deveriam voltar, empacavam e não embarcavam no helicóptero. Desistiam, em nome dos filhos e da mulher.

Lembro que a plataforma tinha cozinheiras e telefonistas no meio de um monte de homens.

Uma telefonista se divertia com os homens numa pequena piscina, imitando a famosa banheira do Gugu.

Os homens e a moça brincavam nas folgas procurando um sabonete dentro d’água.

Era uma brincadeira consentida pela chefia. Me lembro de contarem o que faziam com naturalidade, e o que passavam era isso mesmo, que aquilo os relaxava.

E agora aparecem denúncias de assédio. O machismo bolsonarista contagiou as rotinas até nas plataformas da Petrobras?

O extremismo machista chegou a lugares em que as pessoas estão sob pressão constante ou sob tédio e ansiedade, com as famílias em terra?

Será que ainda existem banheiras do Gugu nas plataformas da Petrobras, onde há relatos de mulheres que dormem com chaves de fenda sob o travesseiro para tentar impedir a violência dos machos?

Dizer que são casos de exceção não resolve nada. São casos reais, e as vítimas existem.

É muito assustador e muito triste. Que a direção da Petrobras socorra as mulheres das plataformas.

E que os homens embarcados tenham a coragem de conter e denunciar colegas assediadores.

Texto originalmente publicado em Blog do Moisés Mendes.

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