Pastores organizavam fila para liberação de dinheiro público no MEC, dizem funcionários

Com a crise instalada, o Centrão passou a fazer pressão para que Bolsonaro demita Ribeiro do MEC, tirando a função dos pastores

Atualizado em 23 de março de 2022 às 6:42
Presidente Bolsonaro condecora o ministro da Educação, Milton Ribeiro, com a Ordem de Rio Branco em outubro de 2020
Presidente Bolsonaro condecora o ministro da Educação, Milton Ribeiro, com a Ordem de Rio Branco em outubro de 2020. Foto. Alan Santos/PR

Além de controlar a agenda de Milton Ribeiro, do MEC, para eventos com prefeitos, os pastores evangélicos citados nos áudios do ministro também “organizavam a fila” para a liberação de recursos da educação para as prefeituras. Essa informação é de acordo com um funcionário de alto escalão do ministério que acompanhava o processo.

Para esse funcionário, segundo a coluna de Malu Gaspar no Globo, as cidades acertavam a liberação da verba com deputados e senadores, que usavam o chamado orçamento secreto para fazer os repasses aos seus redutos eleitorais.

O dinheiro, que em tese vinha do bilionário Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, era administrado pelos três principais partidos do centrão: PP, PL e Republicanos. Mas nem sempre o dinheiro saía, mesmo quando as emendas vinham carimbadas do Congresso. A demora deixava os prefeitos aflitos. Aí, a única forma de o dinheiro sair era procurar os dois pastores, Gilmar Santos e Arilton Moura.

Segundo reportagens publicadas pelo Estado de S. Paulo nos últimos dias, os pastores faziam o dinheiro sair em tempo recorde. Áudio revelado nesta terça-feira pela Folha de S.Paulo mostra Milton Ribeiro dizendo que o pastor Gilmar tinha que ser atendido a pedido de Jair Bolsonaro.

Um dos “rituais do lobby” dos pastores era organizar grupos de prefeitos para levar ao ministro. Em muitas ocasiões, esses encontros eram feitos durante viagens de Milton Ribeiro, em que levava junto equipes do FNDE e o próprio presidente, Marcelo Lopes da Ponte.

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Com a crise instalada, o Centrão passou a fazer pressão para que Bolsonaro demita Ribeiro do MEC e coloque no lugar o próprio Pontes.

Indicado por Ciro Nogueira para presidir o FNDE, Pontes já foi chefe de gabinete do ministro da Casa Civil e é homem de confiança de integrantes do PP.

Milton Ribeiro, que já percebeu que sua permanência no MEC é improvável, tenta emplacar no lugar o secretário-executivo, Victor Godoy, que é ex-auditor da CGU e acumula embates internos com membros do Centrão.

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