Sérgio Camargo é exonerado da presidência da Fundação Palmares

Camargo não traz um voto para o presidente. Pelo contrário, tira, num momento em que Bolsonaro precisa recuperar parte do eleitorado

Atualizado em 31 de março de 2022 às 6:56
Sergio Camargo usa terno preto, é careca, negro e tem expressão de seriedade.
Presidente da Fundação Palmares chamou o jovem de “vagabundo”. Foto: Pablo Jacob / O Globo

Governo de Jair Bolsonaro (PL) exonerou do cargo o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo. A exoneração foi publicada na edição desta quinta (31) do “Diário Oficial da União (DOU)”, assinada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira. O substituto de Camargo não foi informado.

Nesta terça (29), Camargo filiou-se ao PL, mesmo partido do presidente Bolsonaro. “Filiei-me ao PL! Negros não precisam ser vítimas. Negros são livres. Pretos e brancos unidos. Palmares digna. Bolsonaro até 2026. Sigamos, patriotas!”, escreveu ele no Twitter. Ele não divulgou qual cargo deve disputar.

Assessores do presidente vinham defendendo a demissão de Sérgio Camargo, como uma correção de rumo, como manobra para reduzir a diferença nas pesquisas de intenção de voto em relação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

LEIA MAIS:

1 – Ludmilla elogia Lula e critica Bolsonaro: “Neutro é shampoo” 

2 – PF faz pedido ao STF sobre Bolsonaro associar a vacina contra Covid com a Aids

3 – Bolsonaro gasta quase R$ 2 milhões com cartão corporativo em um mês

Por que Sérgio Camargo caiu?

Veja o Sérgio Camargo
Sérgio Camargo/Facebook / Reprodução

No caso da sugestão de demissão de Sérgio Camargo, segundo o G1, a avaliação de assessores do presidente é que ele “passou de todos os limites” ao atacar o congolês Moïse Kabagambe, brutalmente assassinado no Rio de Janeiro.

Camargo chegou a dizer que “era um vagabundo morto por outros vagabundos”, gerando críticas não só no governo como também no Judiciário. Ministro Gilmar Mendes disse que ele precisava ser contido no seu comportamento discriminatório. Camargo, que estava no cargo desde o final de 2019, ainda se envolveu em muitas outra polêmicas.

De acordo com interlocutores de Bolsonaro, Camargo não traz um voto para o presidente. Pelo contrário, tira, num momento em que o presidente precisa recuperar parte do eleitorado que o abandonou desde sua eleição.

Clique aqui para se inscrever no curso do DCM em parceria com o Instituto Cultiva

Participe de nosso grupo no WhatsApp clicando neste link

Entre em nosso canal no Telegram, clique neste link