
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou neste sábado (31) que o governo estadunidense tenha participado diretamente da fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil. “Não facilitamos nada”, declarou em uma entrevista coletiva em Atlanta, durante os encontros de chanceleres do G20. O senador tenta organizar a oposição a Lula a partir dos Estados Unidos.
Questionado sobre a possível ajuda, Rubio afastou o governo dos preparativos para a saída do Brasil. “Pelo menos o governo dos Estados Unidos não esteve diretamente envolvido em nenhuma das movimentações realizadas”, afirmou.
A negativa veio acompanhada da confirmação de que Donald Trump autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro no país. Rubio disse que o presidente determinou que o senador recebesse uma “parole”, mecanismo de permanência temporária, caso chegasse a um ponto de entrada americano. Segundo o secretário, a autorização foi concedida.
BREAKING: Marco Rubio nega que o governo dos EUA ajudou Flavio Bolsonaro a deixar o Brasil. pic.twitter.com/4XbFjKAYzZ
— Sam Pancher (@SamPancher) October 31, 2026
A declaração contraria a versão divulgada pelo empresário mexicano Simón Levy, que se apresenta como aliado de Trump. Levy atribuiu a Rubio o papel de “cérebro por trás dessa operação” e anunciou que Flávio Bolsonaro lideraria a oposição do exterior.
A versão de Rubio também contrasta com a apuração do The New York Times. Segundo o jornal, Jason Miller, integrante da área de comunicação da Casa Branca, providenciou o jato usado pela família. Uma pessoa a par da logística afirmou que Eduardo Bolsonaro manteve contato com Miller.
O governo Trump não planeja apoiar a alegação de Flávio Bolsonaro de ser o líder legítimo do Brasil. Duas fontes ouvidas sob anonimato disseram que não há planos atuais de endossar suas ambições políticas, embora tenham ressalvado que o presidente americano pode mudar de posição.
Da derrota à fuga
Derrotado por Lula no domingo (25), por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos, Flávio Bolsonaro se recusou a reconhecer o resultado e pediu a anulação da eleição. Na segunda-feira (26), anunciou que havia recebido uma ordem para entregar seus passaportes e disse que permaneceria no Brasil.
A promessa de ficar durou pouco. Na noite de terça-feira (27), Flávio Bolsonaro atravessou a fronteira com a Argentina acompanhado da mulher e das duas filhas. De lá, seguiu em um avião particular, com escala no Equador, até Miami, onde chegou na quarta-feira (28). A viagem contrariou a restrição judicial. Não havia ordem de prisão contra ele quando deixou o Brasil.
Já nos Estados Unidos, publicou uma carta em que se apresentou como “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e alegou fraude sem apresentar provas. Depois, retirou essa identificação e passou a se chamar de “líder do Brasil”. O senador sustenta que sofre perseguição política.
CARTA À NAÇÃO BRASILEIRA 🇧🇷
28.10.26 https://t.co/QqOGZuF8G0— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) October 28, 2026
Na live de sexta-feira (30), voltou a questionar as urnas sem provas e falou em disputar novamente a Presidência antes de 2030. Ele não explicou como organizou a saída, quem providenciou os deslocamentos nem quais autoridades participaram da operação.
Resistência no PL e cobrança nos EUA
No Brasil, a carta encontrou resistência dentro do próprio PL. Valdemar Costa Neto criticou o documento e disse que ele não teve aprovação do partido. Um levantamento apontou que 117 dos 155 eleitos pela legenda não compartilharam nem defenderam o texto. Outros 38 manifestaram apoio.
Nos Estados Unidos, 25 deputados democratas cobraram explicações de Rubio sobre a possível participação do governo na viagem. O grupo estabeleceu prazo até 13 de novembro para respostas sobre a atuação de autoridades americanas e a autorização de entrada do senador e de seus familiares.
Na mesma entrevista em que negou ajuda à fuga, Rubio confirmou que mantém contato com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira. Disse que o viu neste sábado, conversou com ele na véspera e espera encontrá-lo novamente na França nas próximas semanas.