Esquerda precisa falar sobre sua rede de ódio, diz presidente da UNE

Veja Bruna Brelaz, da UNE
Bruna Brelaz, presidente da UNE, no DCM. Foto: Reprodução/YouTube

Bruna Brelaz, presidente da UNE, concedeu uma entrevista para Alencar Izidoro e Carolina Linhares na Folha de S.Paulo. Ela falou sobre os ataques que recebeu por ir em um ato do MBL e outras discussões polêmicas dentro da esquerda.

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Presidente da UNE fala de uma rede de ódio na esquerda

Quando diz que o “fora, Bolsonaro” não pode ser uma bravata, está se referindo ao PT, diante do cenário de Lula à frente nas pesquisas? Não estou falando especificamente do PT, até porque acho que não é somente o PT o responsável pela construção do impeachment. Acho que a frase vale para todos os setores que colocam o debate eleitoral na frente da articulação pelo “fora, Bolsonaro”. Todos, sem exceção. Da esquerda, da direita, do centro.

O PT cumpre um papel de mobilização importante, é um dos setores que podem se responsabilizar mais com a construção [do impeachment]. O próprio PSDB. São partidos importantes que precisam se posicionar melhor nesse campo.

Desde que me tornei presidente da UNE já encontrei com Lula quatro vezes. Mais do que com FHC, com Ciro [Gomes, PDT]. Nós faremos um chamamento ao Lula para a frente ampla, falaremos que as questões eleitorais precisam ser deixadas de lado para que esse inimigo da democracia seja derrotado.

Sobre as críticas pesadas de setores da esquerda que você citou, acha que existe um bolsonarismo na esquerda, no sentido de uma milícia digital agressiva? Eu fiz um tuíte questionando se de fato uma parte da esquerda minoritária tem essa rede de ódio. Bolsonaro se elegeu assim. Essa rede de ódio foi que proporcionou, por exemplo, diversos ataques a Lula.

O problema não é discordar de mim. O problema é quando as pessoas passam a agir de forma misógina. É impressionante como as mulheres que estão fazendo esses movimentos sofrem muito mais ataques do que homens. Eu fiquei muito mal, não queria que minha mãe visse esses comentários. Pessoas desejando que eu apanhasse no dia 12, por exemplo.

Essa rede de ódio precisa ser refletida pela esquerda. Será mesmo que vamos continuar fechando os olhos para isso? As pessoas que são lideranças desses campos precisam falar sobre isso. Por que às vezes é conveniente, né? Às vezes essas redes ajudam a alavancar uma figura em detrimento de outras.

Eu fiquei com medo de sair na rua. E o mais interessante é que eu não fiquei preocupada por conta do bolsonarismo. Eu fiquei preocupada porque esses setores me conhecem, eu sou da esquerda. Então, no dia 2, fiquei preocupada de chegar perto dessas figuras e ser violentada, como aconteceu especificamente com o Ciro. Eu fui vaiada, beleza. Por um grupinho assim, era só homem branco. E eu falei: “gente, por que isso?” Só porque estou falando de frente ampla.