Power Point do Lula e delação forjada: Quem é Deltan Dallagnol

Veja Deltan Dallagnol
Deltan Dallagnol e o Power Point. Foto: Reprodução

O procurador da República Deltan Dallagnol renunciou nesta quinta (4) definitivamente ao seu cargo no Ministério Público e deve entrar para a política, disputando uma vaga à Câmara dos Deputados em 2022. Essa informação é de Eliane Cantanhêde no Estado de S.Paulo. Mas, afinal, quem é Dallagnol?

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Quem é Deltan Dallagnol?

Deltan Martinazzo Dallagnol nasceu em Pato Branco no dia 15 de janeiro de 1980. Tem 41 anos.

É Procurador da República desde 2003 e ganhou fama por integrar e coordenar a Força-Tarefa da Operação Lava Jato, que investigou supostos crimes de corrupção na Petrobras.

No dia 14 de setembro de 2016, ele e parte da equipe da Lava Jato fizeram uma apresentação em Power Point do sumário das acusações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Colocou o líder petista como “maestro de uma orquestra criminosa” mas sem ofertar denúncia estruturada de chefia da organização criminosa.

“Não temos prova, mas temos convicção”, foi a frase que viralizou durante essa exposição.

Essa apresentação foi usada como motivo para um processo do ex-presidente contra o procurador, que foi rejeitado em 20 de dezembro de 2017 pelo juiz da 5ª Vara Cível de SBC, decisão que foi contestada em recurso pela defesa do ex-presidente. Em 5 de setembro de 2018, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou por unanimidade o recurso de Lula.

Em 8 de setembro de 2020, ele é punido pelo Conselho do MP por mensagens contra Renan Calheiros. Ele  foi punido com uma advertência pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). A sanção é em razão de mensagens que Deltan postou contra o senador Renan Calheiros (MDB-AL) no Twitter, durante a eleição para a presidência do Senado, em 2019.

Na ocasião, o membro do Ministério Público Federal (MPF) sugeriu que, caso o emedebista ganhasse o pleito, matérias em favor do combate à corrupção dificilmente seriam aprovadas no Legislativo.

Delações forjadas

Segundo reportagem de Vinícius Segalla no DCM em 16 de outubro de 2021, os procuradores da extinta força-tarefa Operação Lava Jato, do Ministério Público Federal no Paraná (MPF-PR), propuseram cláusulas extras, criaram uma nova versão e negociaram os termos da delação premiada do ex-executivo da Petrobras Pedro Barusco, no início do ano de 2015.

Objetivo era incluir o Partido dos Trabalhadores entre as figuras delatadas, com a intenção manifesta de atingir fins políticos e “derrubar a República”.

Isso aparece em diálogos em mensagens de celular entre os procuradores Deltan Dallagnoll e Athayde Ribeiro Costa – respectivamente chefe e membro da extinta Força-Tarefa – analisados pela Polícia Federal no âmbito da chamada Operação Spoofing.

De acordo com reportagem de Bruno Versolato no dia 2 de novembro de 2021 publicada no DCM, chats da extinta força tarefa da Lava Jato mostraram que procuradores incluíram trechos sobre pagamento de propina em pelo menos duas delações, mesmo não tendo material probatório que sustentasse tal afirmação.

Na conversa, os procuradores Deltan Dallagnol, o “Delta”, e Roberson Pozzobon, o “Robito”, combinam como incluir o estaleiro Keppel Fels nas delações, uma vez que tinham apenas convicção de que “alguém da Keppel estava envolvido diretamente”, como admitiu Pozzobon.

“A solução seria colocar um entre aspas do Barusco [Pedro Barusco, ex-executivo da Petrobras], que disse na colaboração que ‘Zwi [Skornicki, lobista do estaleiro Keppel Fells] pagava propina da Keppel’ na delação de Musa [ex-gerente da Petrobras, Eduardo Costa Vaz Musa]”, afirma Pozzobon.

O que os procuradores tentam acertar é a versão de que Pedro Barusco, em sua delação, havia ligado Zwi e a Keppel ao pagamento de propina a agentes políticos.

Em outro trecho, os procuradores buscam uma vantagem política ao tentar envolver o ex-presidente Lula nas delações de Ferraz e Musa. “Mencionar que JS [João Santana, publicitário das campanhas petistas em 2010 e 2014] começou seu trabalho publicitário com o PT nas eleições de Lula”.

Em resposta, Dallagnol diz que os pagamentos a JS [a João Santana] foram a partir de 2012” e que “coloca mais a Dilma do que o Lula, não?”.