Sergio Moro vai até o fim, que pode ser logo ali. Por Moisés Mendes

Moro em pé, com um microfone na frente dele
Moro – Foto: Reprodução

Responda rápido: quem vai carregar Sergio Moro nas costas, pra cima e pra baixo, no meio do tiroteio de uma pré-campanha, mesmo muito antes da guerra pesada do ano que vem?

Quem tem expressão no Podemos para ser o escudo de Moro, num ambiente que a família Bolsonaro irá transformar em campo minado, muito mais para o ex-juiz suspeito do que para Lula?

O Podemos tem Álvaro Dias, que não é um operador de campanha, tem a presidente Renata Abreu, Eduardo Girão, Jorge Kajuru, Lasier Martins. Tem o Bebeto, o Reguffe, o Bacelar.

Não há no Podemos uma expressão nacional com histórico de comando de campanha deste tamanho para empurrar o candidato morro acima. Claro que não será Dias, o candidato de 2018.

Não há um nome consagrado que seja a trincheira do ex-juiz. Alguém que possa dizer com voz grossa aos Bolsonaros: mexeu com Moro, mexeu comigo.

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Moro é um calouro inseguro, acostumado às mordomias de Curitiba, em meio a figuras sem peso no cenário político para a grandeza da empreitada. Um amador foi jogado no mais conturbado e violento ambiente eleitoral desde a redemocratização. Essa não será uma eleição normal.

Em Porto Alegre no fim de semana, onde participou da convenção do partido, todas as notícias informavam que ele estava acompanhado de Renata Abreu e Álvaro Dias.

As informações dos jornais online repetiam os dois nomes e ninguém mais. É pouco para quem almeja muito. Para comparação, já que atuam no mesmo espaço, Bolsonaro está cercado de dezenas de raposas do centrão.

Não há nem como tentar argumentar que Bolsonaro também não tinha gente de expressão no PSL em 2018. Simplesmente porque Bolsonaro não fez campanha e as circunstâncias eram outras.

Moro não tem um grande operador de ações, com mandato, e não dispõe de um nome incontestável, com lastro no Congresso, que possa meter medo na turma que irá atacá-lo em todas as encruzilhadas.

O ex-juiz tem os suportes partidários profissionais, mas convencionais. E tem gente no entorno fazendo o papel de figurante e animador de torcida, como o general Santos Cruz.

Todos são medianos. Falta ao candidato que imita Bolsonaro um grande nome que seja ao mesmo tempo seu colo, seu inspirador e sua base política, institucional e funcional.

Não basta ter alguém que combine com um vereador para que leve o gibão e enfie o chapéu na cabeça de Moro, como aconteceu domingo no Recife.

Se os Bolsonaros pegarem Moro nas esquinas da campanha, será um Deus nos acuda. Como o ex-chefe de Dallagnol irá escapar dos cercos das gangues analógicas e digitais do bolsonarismo?

Quem vai responder aos ataques de Flavio Bolsonaro, quando o chefe de Queiroz voltar a dizer que Moro é um traidor e ameaçar falar o que sabe?

Quem vai contra-atacar em nome de Moro, se Eduardo Bolsonaro disser de novo que o ex-juiz se vendeu ao Podemos por um salário de R$ 22 mil?

Na visita a Eduardo Leite em Porto Alegre, para consolar o gaúcho depois da derrota para João Doria nas prévias do PSDB, Moro autorizou o tucano a sair espalhando aos jornalistas amigos que manterá até o fim a ambição de ser candidato a presidente.

Em janeiro, Leite havia sido usado como mensageiro dos generais, para que tentasse convencer João Doria a não iniciar a vacinação com a CoronaVac.

Moro usa agora o governador para transmitir aos jornalistas a sua decisão de ir em frente até o fim. O ex-juiz não tem no Podemos ninguém com a expressão do tucano gaúcho que possa dar o mesmo recado.

Leite, ainda abatido pela derrota, passou a mensagem adiante e já ficou de prontidão para algum chamado. Que chamado? Talvez para substituir Moro, se o projeto do lavajatismo na política partidária não engrenar.

(Texto originalmente publicado no BLOG DO MOISÉS MENDES)

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