Centros culturais redobram cuidado com o tema da ditadura com Bolsonaro no governo

Golpe de 64, que deu origem à ditadura militar. Foto: Wikimedia Commons

Reportagem de Clara Balbi na Folha de S.Paulo informa que digite Vladimir Herzog no Google. A primeira imagem que aparece é a de um homem enforcado por uma tira de pano amarrada à grade da janela de uma cela. O jornalista tinha acabado de assumir a direção da TV Cultura quando foi intimado a depor no DOI-Codi, em São Paulo, acusado de manter ligações com os comunistas. Foi torturado e morto durante o interrogatório. A fotografia que retrata um suposto suicídio foi forjada pelos oficiais e se tornou símbolo da luta contra as práticas do regime militar e a favor dos direitos humanos.

De acordo com a publicação, mas não aparece na exposição sobre o jornalista que o Itaú Cultural abre agora. Em vez disso, ela prefere destacar a figura do pai e marido zeloso, fotógrafo oficial da família, do editor obsessivo da revista Visão, preocupado com o acesso à cultura no país, e do cineasta que Herzog não chegou a se tornar, assassinado aos 38 anos. A mostra acontece em contexto no qual a ditadura militar é alvo de disputas historiográficas entre esquerda e direita.

Representantes do segundo espectro —o presidente Jair Bolsonaro entre eles—, se dividem entre os que defendem o regime de exceção como inevitável frente uma ameaça vermelha na época e os que duvidam de sua existência. Essa é uma tentativa de reescrever a história que tem feito com que museus e instituições culturais, em especial as que dependem de leis de incentivo fiscal, redobrem a atenção ao montar exposições sobre o regime, completa a Folha.

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Pedro Zambarda de Araujo

Escritor, jornalista e blogueiro. Autor dos projetos Drops de Jogos e Geração Gamer, que cobrem jogos digitais feitos no Brasil e globalmente. Teve passagem pelo site da revista Exame e pelo site TechTudo.

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